por Afonso Luiz Pereira
O caboclo
Bentinho era homem de coragem. Ah, era sim. Não havia vivente neste mundão de
meu Deus que botasse dúvida de sua macheza na frente das fuças dele, não
senhor. E matador também! Sim, muito matador ele era, pois não se metia em
encrenca braba com a qual o cabra da peste não resolvesse na ponta da faca. Nas
suas costas já se botava por riba uma boa dezena de desafetos, que ele tinha
mandado desta pra melhor. A fama do homem corria longe. Muito além das terras
que faziam fronteira com a pequena cidade de Juazeiro, onde ele morava,
contavam-se os causos de sua valentia. Era assim o caboclo Bentinho: não tinha
medo nem de homem nem de bicho e, dizia-se inté, tampouco de assombração!